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23/03/2014

Camelôs vendem aparelhos ortodônticos falsos

Na Rua Alvares Machado, coração do camelódromo no Centro de Campinas, aparelhos ortodônticos falsos são vendidos para adolescentes que os utilizam como enfeite de moda. É possível achar de tudo, borrachinhas, bracket, fios coloridos de qualquer tamanho e até ferramenta instrumental específica para limpeza e manutenção dos aparelhos. 

A instalação pode ser feita por conta própria e se preferir eles mesmos instalam, tudo sem nenhuma formação odontológica ou higiene. “É como se fosse dentista”, afirma o vendedor. Tanto a compra, como a instalação precisam ser agendadas devido a alta procura. 

Moda 

“Tá na moda, né. Aqui vem gente de todo lado querendo o aparelho colorido. Para instalar, custa R$ 100, mas se a pessoa levar mais coisas, como fios e elásticos, pode ficar mais barato um pouco”, informou. “A casa já caiu lá em São Paulo e está difícil encontrar os materiais”, contou, se referido ao cerco que o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp) tem realizado para coibir o comércio ilegal. 

“A gente tem fornecedor. Às vezes, a gente vai na loja que vende e compra de pouco. Falo que fui buscar porque o doutor tinha me pedido e pronto”, disse o rapaz, sobre o método utilizado para aquisição dos itens. Sobre as cores mais vendidas, logo responde: “roxo, azul bebê e verde fluorescente. A do Brasil é a próxima moda”, contou. 

Questionado de como seriam realizadas as manutenções, ele demostra habilidade. “É muito fácil! Corta o fio na medida, pode ser mais de um, coloca a borrachinha num garfo ou no meio de um fio dental, puxa e prende no bracket”, ensinou. 

Fiscalização 

De acordo com o Crosp, órgão que fiscaliza os cirurgiões-dentistas, a utilização inadequada pode gerar danos irreversíveis, como perda de osso e dente. Para evitar o consumo destes materiais, o órgão se reuniu na semana passada com 80 lojistas para orientar sobre a comercialização. E na próxima quinta-feira (27) planeja as próximas ações com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em Brasília. 

“É uma série de ações em conjunto, com governo, prefeituras e policias, para evitar a utilização indiscriminada dos produtos”, informou o secretário-geral do Crosp Marco Manfredini. “Pretendemos também criar uma cadeia de rastreabilidade, da indústria até o profissional, para combater desvios e piratarias”, disse. “Tem que existir um trabalho de conscientização para população, pois algo desta natureza não é brincadeira, faz muito mal”, encerrou.